AS PARÁBOLAS DO MESTRE

AS PARÁBOLAS DO MESTRE

By Aldemir   /     jun 29, 2017  /     Minhas palestras  /  

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Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas.  – Jesus. (MATEUS, 6:33).

          Apesar de todos os esclarecimentos do Evangelho, os discípulos encontram dificuldades para equilibrarem, convenientemente, a bússola do coração. Recorre-se à fé, na sede de paz espiritual, no anseio de luz, na pesquisa da solução aos problemas graves do destino. Lutaremos, sofreremos e aprenderemos nas variadas esferas de luta evolutiva e redentora.

          Considerando, porém, a extensão das bênçãos que nos felicitam a estrada, acreditamos seria útil à nossa felicidade e equilíbrio permanente, ouvir com atenção, as palavras do Senhor: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça”.

          Todos os seres humanos que, em todos os tempos têm habitado este Planeta de expiações e provas, são aprendizes em sua marcha evolutiva, em busca da perfeição e da felicidade. Nos caminhos da vida cada aprendiz se depara com as lições que lhe dizem respeito, com os trabalhos que precisa executar, com as provas necessárias ao aprendizado e com as retificações indispensáveis.

          Nem sempre há o aproveitamento visado nas provas e nos compromissos, que precisam ser repetidos em novas vivências e novas oportunidades. O aprimoramento do Espírito imortal demanda luta e esforço constante. Assim tem sido em todas as épocas da história do homem na Terra, na sua busca do progresso nos conhecimentos e nos sentimentos.

          É interessante observar que, desde os tempos primitivos, a Humanidade sempre se constituiu de seres em diversas faixas evolutivas, como as raças, povos e nações ocupando diferentes posições geográficas no planeta. 

          Muitos estudiosos das religiões cristãs estranham ou não entendem, por que o Mestre não utilizou sempre uma linguagem simples, direta e facilmente inteligível a todos em suas lições e ensinos, recorrendo muitas vezes às parábolas, às pequenas narrativas e às coisas do conhecimento comum do povo.

          Ao penetrarmos mais a fundo nos ensinamentos do Divino Mestre, sejam eles verbais ou através de exemplificações, verificamos serem sempre sábios e sublimes em todas as suas expressões, inclusive quando prefere o silêncio, na célebre indagação feita por Pôncio Pilatos sobre o que é a verdade. …

          Para isso humilhou-se, diminuiu-se, a fim de assemelhar-se àqueles aos quais procurava servir, espalhando a luz de uma Revelação nova que marcaria uma Nova Era para a Humanidade.

          Nessa missão excepcional o Mestre Divino inicia-se em ambiente humilde, para continuá-la junto a Espíritos simples e amorosos em Nazareth, e depois em contato com doutores, fariseus e saduceus palavrosos e orgulhosos em Jerusalém, ricos e pobres, justos e injustos, velhos e jovens, mulheres e crianças, doentes e sãs, valem dizer, toda a gama de uma população diversificada, representativa da Humanidade nas diferentes condições em que se apresenta.

          Na fase final de sua missão escolhe doze discípulos para apoiar-lhe a obra grandiosa, formando o Colégio Apostólico com o qual mantém estreito relacionamento, ministrando-lhes ensinamentos especiais.

          Era diferente a forma utilizada por Jesus quando se dirigia aos apóstolos e discípulos de boa vontade ou ao povo em geral, aos fariseus e contraditores.

          Sua palavra, conforme a ocasião e as oportunidades eram diretas, clara ou velada propositalmente. Em quaisquer circunstâncias sabia que seus ensinos não se dirigiam somente aos que os ouviam diretamente, mas ficariam registrados por alguns de seus discípulos, para serem retransmitidos aos povos no grande futuro, através dos Evangelhos, escritos muitos anos após sua presença entre os homens.

          Somente a sabedoria, a superioridade do Mestre Jesus, poderia atender a condições tão diferentes na transmissão de sua Mensagem à Humanidade. A utilização das parábolas – narrações alegóricas nas quais o conjunto dos elementos busca, por comparação, outras realidades de ordem superior – demonstra a sabedoria do Mestre ao valer-se de determinado método, capaz de estender o ensino a diferentes aprendizes, em circunstâncias variadas de tempo, de espaço, de entendimento e de idioma.

          Ao contrário de todos os povos e civilizações antigas, que criaram e cultivaram o politeísmo religioso para satisfazer às aspirações e crenças das multidões, os hebreus sempre acreditaram na existência do Deus Único.

          Tudo indica que esse foi o principal motivo da presença do Cristo no âmago do povo judaico, anunciada pelos profetas muitos séculos antes de sua vinda.

          No templo de Jerusalém os doutores da Lei transmitiam às multidões a ideia de que um Messias esperado viria “no seu carro vitorioso, para proclamar a todas as gentes a superioridade de Israel e operar todos os milagres e prodígios”. …

          A vinda do Cristo em condições simples e humildes, contrariando totalmente a perspectiva daquele povo, foi à primeira causa para a não identificação e a recusa do Missionário excepcional.

          As outras causas prendem-se às pregações do Mestre, com muitas verdades e retificações que contrariavam as crenças dos orgulhosos judeus, que não podiam admitir, no seu exclusivismo, que seu Deus fosse o mesmo Pai e Criador de todos os homens, de todas as raças e de todos os tempos.

          Daquela geração do tempo de Jesus somente uma pequena minoria aceitou seus ensinos. A grande maioria recusou sua palavra, suas instruções, suas retificações no entendimento da Lei.

          O Judaísmo, exclusivista e orgulhoso, continuou sua saga, sem compreender as pregações e as exemplificações do Mestre Divino. Mas o Cristo, na sua grandeza e amor exemplificados, nem por isso comprometeu o posicionamento daquele povo rebelde e da coletividade judaica em suas opções, mesmo sabendo de sua vaidade pretensiosa e impositiva.

          Essa foi uma das razões pelas quais ele utilizou as parábolas para ministrar seus ensinos. Era a bondade do Mestre entendendo a crença do povo, evitando impor-lhe uma compreensão que correspondia a uma retificação de vários pontos de suas crenças e costumes.

          A palavra velada pelos símbolos sujeita a interpretações, não comprometia os que se mostravam avessos ao entendimento exato da Lei, que preferiam continuar com suas crenças obscuras e tradicionais.

          Mas os que estavam abertos à nova compreensão, como no caso dos apóstolos e discípulos, que perceberam a superioridade de Jesus e de seus ensinos logo entenderam os símbolos das narrativas alegóricas utilizadas pelo Mestre, que lhes acrescentava as explicações complementares, quando necessárias.

          As imagens e alegorias, ontem quanto hoje, destinam-se a apresentar aos que se apegam ao materialismo figuras emblemáticas, daquilo que é essencialmente espiritual.

          Os Evangelhos, ao lado de ensinos claros e diretos, contêm outros, como as parábolas, que precisam ser entendidas em seu sentido alegórico compreendendo a vida que se desdobra tanto no terreno da matéria quanto no do Espírito.

          As crenças humanas nas personalidades do diabo, do demônio e de satanás, e nas figuras do inferno eterno e do reino dos céus originaram-se de símbolos interpretados de forma incorreta e infeliz pelas igrejas.

          Foram à materialização de figuras simbólicas como meio de amedrontar, de infundir o terror às criaturas inclinadas à prática do mal e à desobediência de regras instituídas pelo poder religioso, durante séculos e milênios.

          Essas crenças tiveram sua razão de ser em um mundo atrasado, para impedir a prática de muitos atos originados na consciência de homens inclinados ao mal, até que surgisse a perspectiva de uma nova realidade que veio com o Consolador Prometido.

          Agora, com a Nova Revelação, não mais se justificam aqueles símbolos, entendidos como realidades, (satanás, céu, inferno) já que o homem tomou conhecimento de que, segundo a Lei Divina, respondem pelas conseqüências de seus pensamentos, palavras e ações no bem e no mal, que se projetam no seu futuro, em vidas sucessivas, nas quais resgata e retifica erros cometidos e colhe os frutos do que semeou.

          Disse o mestre Jesus: Quem tiver ouvidos de ouvir, ouça. Os discípulos, aproximando-se, lhe perguntaram: Porque lhes falas por parábolas?

          Respondeu Ele: É porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas a eles não. Todas estas coisas se dizem por parábolas, porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.

          A narrativa evangélica continua, explicando Jesus aos apóstolos o sentido real de um ensinamento complexo dirigido não a uma classe homogênea de aprendizes atentos e capazes de entender as lições, mas a uma população planetária diversificada, incluídas nela as futuras gerações.

          Hoje podemos compreender que a sabedoria e a bondade do Cristo, que acompanha a evolução dos habitantes deste planeta desde o princípio, não podia deixar de atender àqueles que já se achavam em condições de receber novos ensinamentos. Mas, de outro lado, o Mestre não podia comprometer uma grande parcela da população que ainda não havia adquirido as condições evolutivas necessárias para a assimilação de verdades novas.

          Os orgulhosos e pretensiosos de então e do futuro, os que se contentavam com os conhecimentos que possuíam os que não aspiravam por melhores sentimentos em relação a seus semelhantes, os que se sentiam satisfeitos com as crenças em suas divindades, ontem como hoje necessitam de amadurecimento espiritual para aceitar novas verdades que contrariam o que está assente e estável em seus sentimentos.

          Foi por falsas interpretações das Mensagens deixadas por Jesus, que levado à confusão, os interesse materiais e imediatos com o que diz respeito ao Espírito eterno, na vida material e na espiritual, que o Cristianismo primitivo se transformou nas instituições humanas denominadas igrejas cristãs.

          E esse foi um dos motivos determinantes da vinda do outro Consolador prometido e enviado pelo Cristo, o espiritismo, para relembrar seus ensinos e trazer o conhecimento de coisas novas.

          Mas, como se pode observar através da História, o progresso do homem, o aproveitamento espiritual dos habitantes deste planeta é muito lenta, na qual devemos aproveitar as oportunidades que a Assistência Divina nos proporciona.

          A maioria de nós, usando o livre-arbítrio de que somos dotados cada ser, persiste no erro e nos descaminhos, desprezando ou não percebendo as oportunidades para o crescimento e a libertação das amarras da ignorância.

          Por isso a repetição das vidas na Terra, a bendita lei da reencarnação, é a grande solução para o problema da rebeldia de uns e a dificuldade de outros para o reencontro com o progresso e a evolução.

          Na Terra, a realidade do Espírito e o entendimento do que é o reino de Deus e sua justiça são de difícil compreensão pela grande maioria de seus habitantes, influenciada permanentemente pelas múltiplas formas do materialismo e pelas interpretações religiosas que nem sempre correspondem à verdade.

About Aldemir

Olá amigo (a) irmãos no ideal espírita! Sejam todos bem-vindos a esta página. Meu nome é Aldemir, tenho 55 anos, estudo o espiritismo há 20 anos e sei que serei um eterno aprendiz tentando me melhorar sempre. Acredito que o Espiritismo é o melhor caminho para a evolução espiritual, motivo pelo qual resolvi fazer a divulgação dessa doutrina. Espero de alguma maneira, ajudar aos que procuram alguma resposta, aos que procuram uma luz, um caminho, ou queiram compartilhar comigo respostas que esta doutrina consoladora oferece a cada um, conforme seus conhecimentos. A divulgação que porventura for feita com relação aos conteúdos aqui obtidos, entre amigos e grandes personagens do nosso espiritismo, Obras básicas e outras tantas obras complementares, apoio de internautas, também pode ser considerada um gesto de caridade. O espiritismo é uma fonte de ensino inesgotável para aqueles que desejam se aprofundar mais nesse sentido. Quanto mais estudarmos mais certeza se tem que pouco se sabe e que o entendimento pode ser diverso em um mesmo assunto. Este espaço foi criado com o objetivo de falar um pouco a respeito do Espiritismo e visa, principalmente, colocar a minha visão a respeito desta doutrina tão consoladora, mas ainda tão pouco compreendida por tanta gente, mesmo dentro do segmento espírita... E também receber mensagens, textos, fotos, vídeos dos que acessarem e queiram contribuir para podermos juntos, levar um pouco de luz aos irmãos de caminhada. O conteúdo aqui publicado poderá ser copiado, divulgado por quem tiver interesse em divulgar nosso trabalho. Acredito nos princípios básicos da doutrina espírita: Existência de Deus, Imortalidade da alma, Pluralidade das existências, Pluralidade dos mundos habitados e Comunicabilidade dos espíritos. Acredito também que todos nós temos um mentor espiritual a nos auxiliar para a evolução aqui no Planeta Terra. Cultivar a paz interior é a grande sabedoria da vida, assim como a percepção das nossas reais necessidades. Obrigado pela visita deixe seu recado se quiser, volte sempre e que Deus ilumine o caminho de todos vocês, muita paz...

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